domingo, 27 de abril de 2014

O simples me apetece.

A minha vida inteira vivi perto da correria, do agito, do caos. São Paulo é assim. E por isto nunca me questionei se tudo aquilo era certo ou não. 

Vivi cercada de pessoas que trabalhavam 10 / 12 horas por dia, corriam atrás de dinheiro feito loucos e algumas, simplesmente um dia deixavam de ver importância em tudo aquilo. Sempre achei que esta descoberta vinha acompanhada de uma doença grave, um "quase morte" ou uma "quase perda" de alguém querido. 

Comigo nao foi assim. Não sei dizer ao certo quando foi que o SER passou a ser mais importante que o TER. Acho que tudo começou no meu quintal em Extrema-MG, onde esquilos, pássaros e maritacas vinham me fazer companhia no café da manhã. Achava tudo aquilo de uma simplicidade incrível e vinha acompanhada de uma paz não me deixava pensar em absolutamente nada. Era uma paz silenciosa, sem motivo de ser. E foi então que eu descobri a Tranquilidade da Alma. 

Claro que gostaria de ganhar aneis de brilhantes e colares de esmeraldas. Gostaria de fazer a festa de aniversario dos meus filhos nos buffets mais caros da cidade e passar horas fazendo compras nas mais diversas lojas. 

Mas nada disto me traz esta tal tranquilidade. 

O que eu gosto mesmo é de botar o pé na areia, pisar descalça na grama, molhar os pés na água do mar. 




Gosto do sorriso descontraído, do vento no cabelo, no olhar para as paisagens. 





Gosto de pular, de rir, de gargalhar. Gosto de brincar na neve, de fazer guerra de nada.



 Gosto de olhar as montanhas, de jogar pedras na agua.





Gosto mesmo é de ver o por do sol - porque ele nasce muito cedo e eu gosto de dormir até tarde. 






Gosto de ouvir as ondas do mar. E gosto do mar até mesmo quando não tem ondas. 



Gosto de andar de bicicleta. Gosto de sentar no banco da praça enquanto o Renzo desce no escorregador. 




Gosto de estender a toalha na grama e me estender olhando para o lago enquanto chega o cair da tarde.






E foi vivendo tudo is
to que eu descobri que o simples é o que me faz feliz. 

E descobri que fico mais feliz quando tem sol. 



domingo, 6 de abril de 2014

Ele não ajuda mesmo!!!!!

Com a casa devo admitir que ele realmente quase não me ajuda. Segundo ele, precisa que eu coordene as coisas. E eu estou sempre esperando que ele faça por si só, assim que veja que algo está fora do lugar. Mas não é bem assim que funciona. E muitas vezes acabo me sentindo frustrada. 

Agora, a verdade é que com o Renzo ele nunca ajudou. E tudo começou quando ele nasceu. Tive um parto extremamente complicado (quem quiser se atualizar, leia aqui!)

E então ele ficou comigo todas as noites no hospital, levantando e abaixando a cama nas mais de 25 vezes por noite que o Renzo chorava querendo mamar ou simplesmente porque queria o colo da mamãe. Foi ele quem me levou ao banheiro e colaborou para que eu conseguisse me vestir. 




Já em casa, era ele quem me levantava do sofá, quem acordava de madrugada para me sentar ou me levantar da cama, pegar o Renzo do berço, colocar no meu colo para que eu pudesse amamentá-lo e depois colocá-lo de novo no berço. Não sem antes me levar ao banheiro e me colocar novamente na cama. Era ele quem trocava a fralda do Renzo de dia e só não o fazia a noite porque ele não tinha a agilidade suficiente para uma troca rápida e o pequeno, muitas vezes, chorava de frio. 


Foi ele que em menos de 1 semana deu banho no filho. Confesso que ele tinha um certo receio, mas eu, teimosa que sou, pedi para ele segurar o Renzo por 1 minuto e quando ele o fez eu disse: - agora é tua vez de dar banho. E ele tirou de letra. Daquele dia em diante, nos revezávamos nesta tarefa também. 




Enquanto eu estive debilitada ele lavou, cozinhou e coordenou as tarefas de casa enquanto eu chorava de dor. Foi excepcional. 

E até hoje é assim. Ele continua não me ajudando a cuidar do filho. Ele chega em casa e brinca com o Renzo, dá banho, briga com o pequeno para ele comer. Ele troca, alimenta, da banho, veste, ensina, brinca, se diverte, dá bronca, põe de castigo, faz companhia, conta histórias, escova os dentes, leva ao cabeleireiro, ao parque, ao mercado, assiste filmes. Explica as coisas, ensina a distinguir as letras e os números. 



E no Mc Donalds pede Mc Lanche Feliz so para o filho ganhar mais 1 brinquedo. 



Nos revezamos na tarefa de acompanhá-lo ao banheiro para fazer cocô e seguramos a mão dele para ajudar neste martírio. As vezes, vamos os dois. 




Ele não me ajuda nem um pouco. Ao invés disto, ele divide comigo a tarefa de cuidar, criar e educar o nosso filho. Fazemos isto juntos porque a responsabilidade é nossa. E isto ele faz como ninguém. Ele simplesmente exerce o seu papel de pai, exatamente como deve ser. E eu tenho muito orgulho do pai que ele é. 






terça-feira, 18 de março de 2014

O que meu filho de 3 anos sabe fazer.



Meu filho tem 3 anos e 6 meses. 

Nos consultórios, nos parques de diversões, nos encontros com as mães, sempre ouço coisas que as crianças da mesma idade sabem fazer. 

- Meu filho sabe contar até 10.
- O meu sabe contar até 100
- Minha filha conhece todas as letras do alfabeto
- Meu filho conhece marcas de carro
- Minha filha sabe mexer no celular / tablet / computador até melhor que eu
- A minha sabe fazer origami

E a exemplo de tudo o que vejo e ouço por aí, resolvi listar as coisas que o Renzo já sabe fazer, afinal, eu também não posso ficar atrás.

O Renzo sabe andar de bicicleta - com rodinhas de apoio, é claro. E ele vai a uma velocidade incrível e na maioria das vezes nem esquece de usar o freio. 

Sabe brincar de mocinho e bandido, atirando em tudo o que vê e usando o sofá como barricada. 

Ele sabe brincar de desmaiar. E sabe que só se deve acordar depois de ganhar um beijo. 

Sabe andar de velotrol dentro de casa no inverno, porque eu não me importo muito com os riscos no chão, desde que ele esteja se divertindo. 

Meu filho sabe montar um castelo de Lego Junior, como ninguém. E muitas vezes ele até coloca janelas. E, por falar em castelos, ele também sabe fazer castelos de areia como ninguém. 

Ele sabe brincar com bolhas de sabão. E solta a risada mais gostosa do mundo ao estourá-las. 

Ele também aprendeu a brincar de esconde e esconde e muitas vezes se esconde dentro do guarda-roupas para a gente procurar. 

As vezes, ele imita fantasmas para nos assustar. 

Meu filho sabe "pescar peixes" no copo com leite, Nesquick e bolachas. 

Sabe subir na beliche do irmão como se fosse uma montanha que tem que escalar. 

Meu filho aprendeu direitinho a brincar de cabana na parte debaixo da beliche. E nem se dá conta que aquilo é só uma cama, e que não adianta ele colocar um cobertor na frente, jamais será uma cabana. 

Meu filho sabe correr no parque e cair e levantar e cair de novo. E às vezes quando ele se machuca ele sabe vir para mim pedindo para dar um beijo para sarar. 

O Renzo sabe pular em cima da minha cama como se fosse um trampolim. Sabe brincar de batmam, de homem-aranha, de Incrivel Hulk e desde ontem aprendeu a brincar de Capitão América.  

Meu filho sabe me pedir para assistir filmes com ele e pasmem - ele até escolhe os filmes que quer ver no setor de "Animaçoes". 

Meu filho não sabe brincar de bola. Quer dizer, ele até sabe. Ele só não é muito bom nisso. Mas ele nem se importa, porque o que ele quer mesmo é chutar. Mas em compensação joga bexigas no alto com uma destreza impecável. 

Meu filho sabe falar francês. Todos os dias quando ele acorda, me dá um beijo e diz: - Boun Jour mon amour. E esta é a única frase que ele conhece na língua. 

Meu filho sabe jogar video-game. E sabe que pode pedir para o irmão ou para o pai para passar as fases mais difíceis para ele. 

Meu filho sabe tomar banho de banheira, cheio de tubarões, piratas e dinossauros e se defende muito bem de cada um deles. 

Meu filho sabe escorregar no escorregador dos parques, balançar nas balanças e subir nos trepa-trepas (este último, devo admitir, ainda com um certo receio).

Ele sabe me ajudar na cozinha quando estou fazendo comida. E nem liga para a sujeira que fica depois. 

Meu filho sabe cantar. Canta músicar conhecidas e às vezes até inventa as próprias cançoes, muitas vezes sem ritmo e sem rima. Mas, quem liga? 

O Renzo sabe brincar de "Capitano" (Capitao) enquanto andamos na rua. E sabe que deve correr dos monstros marinhos, dos tubarões e das baleias antes que eles afundem o seu navio. Sabe que deve passar embaixo dos tuneis imaginários e que deve andar sempre em cima do tronco para não se afundar na areia movediça - ou na lama. 

Ele sabe desenhar nas paredes do box do banheiro quando o vapor embassa. Faz montanhas, casas, homens, dinossauros e uma infinidade de desenhos que ele tem que decifrar, porque eu, burra que sou, nem sempre reconheço um bom artista. 

Ele também desenha no vidro do carro, com suas mãozinhas meio sujas e fica cada coisa linda lá. TEm dias que quase não dá para ver "lá fora" de tão desenhadamente engordurado que fica o vidro. 

Acreditem, o Renzo faz tudo isto e muito mais. 


__________
Texto baseado no que li sobre o artigo de Alicia Bayer 
sobre O QUE UMA CRIANçA DEVE SABER AOS 4 ANOS. 

segunda-feira, 17 de março de 2014

Ser ou nao ser (mae), eis a questao.

Plagiando nada menos que Sheakespeare (To be, or not to be, that is the question) começo a análise de hoje.

Talvez porque as redes sociais invadiram nosso mundo real que me dou conta de coisas que antes nem pensava.

Vejo frases por todos os lados dizendo sobre as maravilhas da maternidade. Que uma mulher so se sente completa depois de ter um filho. Ou, ser mãe è a melhor maravilha do mundo. E a pior delas: - Toda mulher deveria ser mãe. Esta é a imagem vendida, desde os tempos das nossas bisavós que afirmavam que "a mulher só é feliz depois de dar a luz". Aí como existem tantos órfãos no mundo, a sociedade mudou um pouco a frase para: - "A mulher só é feliz depois de ser mãe".

Estas coisas me fizeram pensar e analisar. Por que alguém quer ser mãe - ou pai?

Nunca ouvi ninguém dizer que escolheu esta vida porque entrou em um ônibus e viu um menino catarrento, lá pelos 5 anos dar um tapa na cara da mãe.

Ou talvez escolha a maternidade ao ver o adolescente da vizinha xingando os pais, indo mal na escola e usando drogas.

Nunca ouvi ninguem dizer: - quero ter filhos para eles escolherem viver em um outro país, longe de mim. Sim, isso acontece. Veja só minha mae. Duas filhas morando a milhares de quilômetros de distancia. E eu aposto que quando ela pensou em ser mãe ela achou que a gente sempre estaria por perto.

Quem é que diz :- Eu quero ser pai porque quero ajudar meus filhos a enfrentarem os problemas da vida, de desemprego, de falta de grana, de falta de companheiros?

Sim, meus amigos, estas coisas fazem parte da maternidade / paternidade. Não todas juntas, graças a Deus, mas fazem.

Sei que voces podem dizer - ah! mas aí é problema de criação. Outra novidade para vocês: - Nem sempre. Já pararam para pensar em famílias que tem crianças tão diferentes entre si. Porque em uma família tem um filho que usa drogas e outros não? Ou porque um se dá bem na vida, trabalha, enquanto o outro so quer saber de "vida boa"?

Pois é. Entao, nem sempre é problema de criaçao / educaçao. Claro, que isto ajuda. Mas nem sempre è o ponto X da questão. Na minha família, por exemplo, um dos meus irmãos foi usuário de drogas. A tal ponto que hoje não faz mais parte do nosso convívio. Deus o chamou mais cedo e, sinceramente, acho que foi o melhor para ele. Então? Meus pais educaram ele diferente do que aos outros três?

Só que estas coisas ninguém conta. A sociedade não nos prepara para isto. A imagem de maternidade é a de uma mãe linda e feliz embalando  e amamentando calmamente o seu bebê. Exatamente assim.   

Claro que esta fase existe e é perfeita - ou quase. Só que ela é passageira. E intercala com várias outras não tao amáveis.

Esta história de que toda mulher deveria ser mãe é balela. E nãoéè que penso que nem toda mulher não deve ter. So que hoje em dia se vende esta imagem como a de felicidade suprema. E por conta disto vejo mulheres cada vez mais tristes, sem vontade de viver porque não podem ou nao conseguem engravidar. Vejo casais gastando fortunas em clinicas de fertilização, outros minando a relação por conta das frustrações de não se conseguir engravidar porque o modelo de felicidade ideal envolve uma criança.

Vejam bem! Eu sou mãe. E também, como muitas outras mulheres, jáquis muiiito ter um filho. Já achei que se eu não os tivesse, jamais me sentiria completa. E hoje vejo que eu estava errada. Não me entendam mal. Eu sou extremamente feliz no papel de mãe. Amo meus filhos inteira e absurdamente. 

Sim, depois que eles nascem passam a fazer parte de nós e não importa o que eles façam vamos continuar amando-os com a mesma intensidade de sempre. Eles farão parte do seu mundo, da sua vida, dos seus pensamentos. E hoje eu não me imagino sem eles - nenhum deles. Mas a verdade é que ninguém nunca me preparou para o que estava por vir.

Fiz cursinho de gestante aprendendo como cuidar de um bebê. Mas parou por aí. Não encontrei nenhum cursinho que me ensinasse a lidar com uma criança em idade escolar. Não recebi aulas de reforço para me lembrar das lições esquecidas e ajudar meus filhos com as tarefas de casa. Não me ensinaram a lidar com as rebeldias de adolescentes. E olha que os meus nem são tão rebeldes assim. Vejo constantemente outros piores. E penso sem culpa nenhuma: - Se eu não fosse mãe e visse este tipo de comportamente, certamente desistiria da ideia.

E sabe de onde veio esta minha certeza? Porque se eu perguntar para qualquer um: - Por que voce quer ser mãe / pai, ninguém - ABSOLUTAMENTE NINGUÉM - vai me responder que é para poder cuidar de um adolescente problemático - sim, 80% deles são problemáticos em menor ou maior grau. Se você em casa tem um que faz parte dos outros 20% sinta-se extremamente afortunada. 

E me baseio nas estatísticas de adoção. 90% dos casais nas filas de adoção querem uma criança até 3 anos.  8 % ACEITARIA uma criança de até 10. Somente 2% estão dispostos a adotar um adolescente cheio de vícios e manias, personalidade formada e tals. Isto porque a imagem de maternidade que se vende não é a de pais de adolescentes. A imagem verdadeira vendida por ai é :para voce ser feliz e se sentir uma mulher de verdade, voce TEM que ter um bebê.

Então, antes de sair por ai perguntando: - E aí? Quando è que vocês vao ter um bebê?
Ou - Quando é você vai ser mãe. Ou soltar frases do tipo: - Só quem é mae conhece a verdadeira felicidade - pense bem se você não està - como tantas outras pessoas por ai - vendendo a imagem distorcida.

É claro que é maravilhoso. É claro que você vai amá-lo. É claro que você não desistiria dele. E repito: eu não estou fazendo apologia para "você nao ter filhos". Nada disso, viu?

A minha opiniao é que só não devemos vender a imagem de mãe como imagem de felicidade completa. E ensinar para nossos filhos e filhas que com a maternidade/paternidade vem muitas responsabilidades. E que assim como escolher qual profissão voce vai exercer, em que país voce vai morar, ter filhos também deve ser uma opçao - e nao uma obrigaçao - para ser feliz. 

Uma mulher passa a ser imensamente feliz quando vira mãe. Mas é bom que se descubra que também dá para ser feliz se escolher não ser. E não tem absolutamente nada de errado nisto.

E se você optar por tê-los saiba que passará dias muito difíceis. Mas no final, tudo valerá a pena. 

 



sexta-feira, 14 de março de 2014

O futuro

Onde ou quando é o futuro?
O futuro é logo ali ou é mais adiante?
Quando é que ele chega? 
E quando ele chegar, eu vou me dar conta de que jà chegou e parar de correr atras dele? 



Tenho me feito esta pergunta mais vezes do que gostaria, talvez por ter me tornado um pouco mais egoísta. 

Sim! Egoísta! E vou explicar porque. 

Sempre trabalhei muito para garantir "o futuro" dos meus filhos. Muitas vezes não me dei conta de que eles estavam precisando mesmo era "do presente". 

Muitas vezes deleguei a tarefa de ser mãe a avò, ou à babà porque eu estava trabalhando para "garantir o futuro" deles. Até que me dei conta de que estava fazendo tudo errado. 

Eu já quis comprar 2 - depois 3 - casas sò para deixar 1 para cada filho. Já quis juntar dinheiro para pagar os estudos - faculdade, pòs, etc - deles. Até que percebi que este era um sonho meu. 

E depois desta minha aventura por um outro país, ficou ainda mais claro esse meu engano. 

Conheci um pai que trabalhou a vida inteira até quase meia-noite para, assim como eu, garantir uma vida melhor para os filhos. E lutou tanto que conseguiu comprar um apartamento de 700m² em um dos bairros mais nobres de Sao Paulo. A filha, ao completar 18 anos se mudou para a Inglaterra, arrastou o irmao, que conheceu uma holandesa por quem se apaixonou, teve filhos e hoje trabalha em 2 restaurantes para sustentar a família porque o dinheiro do pai dele - segundo ele - é do pai dele e ele não seria digno da esposa que tem se simplesmente delegasse ao pai a tarefa de provedor. Os dois moram por là e o pai vive sozinho em um apartamento enorme que ele sonhou em deixar para os filhos. 

Outra mãe se mudou para a Itália para dar uma vida melhor para o filho. Trabalhou como faxineira, copeira, garçonete sò para garantir o melhor estudo. O filho, quando cresceu, voltou para o Brasil para trabalhar de pedreiro porque "lá que era o seu lugar". 

A escolha do Cleber em morar em outro país tem muito mais a ver com um sonho pessoal do que com estilo de vida. Seu sonho è conhecer e se tornar fluente em várias línguas. E ele quer a fluência que o viver traz, não a fluência de cursos. Ele quer conhecer culturas diferentes, pessoas diversas, experimentar comidas típicas e viver o dia a dia da "vida lá fora". Não adiantou que seu pai comprasse 3 casas, ou que lhe oferecesse uma delas, ou que lhe oferecesse um trabalho no Brasil. Nada disto iria de encontro ao sonho dele. 

A minha escolha foi errada. Estou aqui para - mais uma vez - garantir um futuro melhor para os meus filhos. Mas nunca perguntei que tipo de futuro eles queriam. Simplesmente, assim como fizeram tantas vezes meus pais, os coloquei na mala e os arrastei para aquilo que eu acho ser o melhor para eles. 

O que està errado em tudo isto? Tudo! E ao mesmo tempo Nada! E a resposta é simples: OS SONHOS. 

Cada um tem o seu. E eu não posso desejar que o sonho do meu filho seja o mesmo sonho meu. E não posso viver minha vida em função do sonho dele. O sonho é particular. Cada um deve viver e correr atrás dos seu. 

Meu pai não me deixou uma casa. Nem por isto fui menos feliz. Sempre tive que trabalhar por cada centavo, mas e daí? Sinceramente? Hoje em dia vejo que as pessoas mais sensatas e mais dignas são aquelas que tiveram que lutar por cada centavo e não aqueles que tiveram tudo de mão beijada. 

Hoje, sou egoísta. Porque percebi que mesmo errando no motivo de viver no exterior fiz a escolha certa, pois hoje tenho o que eu quero. 

Não trabalho mais para ter um futuro que eu nem sei quando e se vai chegar. Trabalho para ter o que eu quero, para fazer o que quero. Meu futuro està bem ali na esquina. Trabalho para juntar dinheiro para fazer uma viagem - amo viajar. Trabalho para juntar dinheiro para ir ao mar. Corro atrás do que está ao alcance da minha mão. 

Ainda tenho como prioridade o estudo dos meus filhos. Quero muito dar-lhes condiçoes de correr atrás dos seus sonhos. Mas não me importo mais se não deixar uma casa ou uma poupança super gorda. Me preocupo muito mais com que tipo de lembrança vou deixar. Se  irão se lembrar de mim como alguém que os ensinou a pescar ou alguém que sempre lhes deu o que comer. Se vão se lembrar do meu sorriso quando estava com eles ou do meu suor, do meu mal humor e da minha cara cansada por trabalhar demais. 

Hoje sou mais egoísta. Me preocupo comigo e com eles. Mas não daqui a dois anos. Me preocupo com a gente hoje, amanhã. Minha preocupação é dar bronca quando for preciso. É sentarmos juntos depois da janta e jogar conversa fora. É levà-los comigo em uma destas viagens malucas que eu gosto de fazer.

Sou egoísta porque quero que meus filhos vivam por eles. Que descubram o mundo por eles e que descubram que para ser feliz a gente realmente não precisa de status, de casa própria, de carro do ano. 

Eu não posso viver a vida deles. Então porque raios eu iria querer que eles vivessem a minha?

O futuro está bem ali. Basta esticar as mãos. 

domingo, 29 de dezembro de 2013

Balanço Geral

2013 não foi um ano difícil, mas também não posso dizer que foi fácil. 

Como todos os outros foi um ano de muito aprendizado.  

Aconteceram algumas coisas boas, outras nem tanto. 

Alcancei algumas metas, entre elas a minha patente italiana e conhecer Paris ao lado do meu amor. Foi uma viagem maravilhosa que renovou o nosso amor e reacendeu a paixão.  Também estou pagando minhas dívida, o que não é fácil.  

Outras metas terei que prorrogar para o novo ano. Mas não vou desistir delas. E uma ficou ainda mais difícil pois ao invés de perder 8 kilos ganhei mais 2. 

Comecei a trabalhar e desde que chegamos foi o ano que mais trabalhei, o que ajudou bastante na questão financeira que embora ainda não seja a ideal foi bem melhor que nos dois anos anteriores.  Acho que para o Cleber esta questão é mais difícil que para mim. Às vezes o pego se comparando com outros ao nosso redor.  Acredito que como homem seja mais complicado ver que algumas metas ainda não foram alcançadas. Para mim isto não é tão importante.  Sei que o principal pelos nossos filhos estamos fazendo.  E me orgulho disto.  

Meu relacionamento com o Guilherme melhorou bastante.  Espero que continue e que melhore cada dia mais.  

Senti uma falta danada do Renzo e do pai dele também no mês que eles foram para o Brasil.  Vi que é impossível viver sem eles.  

Um ano onde a Luana teve que fazer certas escolhas. Um ano de decisões e fiquei feliz em fazer parte delas. 

Foi um ano de dúvidas e incertezas.  Eu e o Cleber quase nos perdemo, mas descobrimos que o amor que sentimos um pelo outro é mais forte e que seria muito difícil reaprender a viver sozinhos de novo e por isso estamos aqui aprendendo com os erros e redescobrindo nosso caminho. Às vezes penso que ainda temos um longo caminho a percorrer mas acho que é assim mesmo.  Casais brigam de vez em quando. Para nós foi um tanto difícil esta descoberta pois nunca brigamos muito e de repente perceber que fazemos parte do mundo onde nem tudo é perfeito nos assustou um pouco.  Espero que em 2014 estes momentos se tornem cada vez mais raros.  

Que eu possa continuar trabalhando e ajudando na conquista daqueles que amo. Que possamos estar juntos e cada vez mais unidos. 

E que venha 2014 com a certeza de que podemos superar qualquer desafio. 

sexta-feira, 26 de julho de 2013

intensa

Sou intensa, sou grande, sou imensa. Em todos os meus angulos. Até mesmo nos mais disfarçados. 

Eu amo demais, odeio demais, me alegro demais e me entristeço demais. Nao conheço meios termos, nao conheço metades.

Sou sonhadora e faço planos para tudo. Talvez por isto me decepciono muito mais vezes do que me surpreendo, afinal, estou sempre esperando alguma coisa. Defeito meu - admito - e dos grandes porque nem sempre as pessoas tem para dar. 

Milano é só mais uma cidade grande e encasinada, certo? Errado! Pode ser sò isso para voce. Para mim ela é TAMBEM isto. Como é tambem o primeiro lugar que estive quando pisei na Italia. Foi ali que vivi momentos muito bonitos. Foi ali que sonhei e fiz planos. Foi ali onde andei - pela primeira vez - em terras estrangeiras. 

Rever a Duomo teve para mim uma sensaçao completamente desconhecida pelas demais pessoas - ao meu redor e ao redor do mundo. Poucas pessoas saberiam entender meu sentimento. 




E o castelo? Ah! o castelo Sforzesco e sua fonte. Onde vi pela primeira vez um ensaio de fotos de um verdadeiro casamento italiano. Aqui, quando as pessoas se casam, tiram fotos em frente aos castelos. E isto é uma coisa que eu acho absurdamente linda. E quando olhei aquela fonte e aquele castelo, me lembrei de cada pequena sensaçao que senti em 2009. 



E, embora minha ida hoje tenha tido razoes extremamente praticas, eu nao sou - nem nunca fui - uma pessoa pratica. Sonhei de novo. E sonhei muito e sonhei alto. 

O problema é que sonhei sozinha. 

quarta-feira, 19 de junho de 2013

O primeiro passo foi dado



O Gigante acordou. Demos o primeiro passo. Milhares de pessoas às ruas gritando e exigindo seus direitos. Milhares de pessoas protestando contra a corrupção, contra as falcatruas, quanto ao superfaturamento. Milhares de pessoas brigando pelo direito de serviços básicos de qualidade. 

Orgulho do meu Brasil. Orgulho dos brasileiros. 

Nos meus 41 anos jamais senti tanto orgulho de fazer parte desta nação. Queria muito estar ai para marchar com vocês pelo que acredito. 

Mas lembrem-se meus amigos. Este é apenas o primeiro passo. 

O mais importante é não cometermos os mesmos erros do passado e voltarmos a colocar no poder Collors, Lulas, Dilmas, Renans, Malufs... Devemos ficar atentos ao nosso voto, às nossas escolhas. 



Devemos empregar um pouco do nosso tempo a pesquisar com afinco o passado, o preparo administrativo e as propostas dos futuros governantes do nosso país, do nosso estado, da nossa cidade. Sim! Devemos "fuçar" a vida pública e privada de cada um. Chega de: - ele rouba mas faz! Chega de "ele é o menos pior"! Chega de - "Vai este mesmo!" 

Não podemos admitir no poder pessoas despreparadas, corruptas, ladras. Temos sim que lutar pelo que acreditamos. Mas muito mais do que isto, devemos fazer valer nosso direito de governantes limpos. 

Devemos nos mobilizar para levar informação aos menos informados sobre a vida dos candidatos. Sim, porque temos no nosso país pessoas despreparadas ao voto, suscetiveis a historias e mentiras e devemos nós levar até elas a informação de quem é quem. Ensinar os menos preparados a votar. E votar com consciência. 

A força do povo brasileiro não pode parar nas ruas. Deve ir para as urnas. Que possamos nos unir também em prol de uma eleição melhor, justa e sem manipulação. 



O povo tem o poder. Vamos fazer valer nossos direitos. 

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Meu eterno namorado




 


É exatamente assim que espero me referir à ela daqui há dez anos. Não! Não faço parte do grupo de jovens apaixonadas, mas sou sim, apaixonada por ele. Não posso medir em tempo, nem dizer que será para sempre. Eu só espero que seja.

Estamos juntos há 4 anos - e às vezes parece muito mais - mas ainda nos abraçamos como no nosso primeiro encontro. Ainda sinto borboletas no estômago quando ele pega meu rosto com as duas mãos e deposita um beijo em meus lábios. Ainda me sinto uma boba quando ele me aninha em seu colo e me chama de "Pecinha de Encaixe Perfeito". Ainda sinto por ele o mesmo e infantil desejo da primeira vez. 

Ele, assim como eu, é cheio de defeitos. Um deles é que não dá a mínima importância para datas e o dia de hoje vai passar completamente em branco. Ele nem se lembra que no dia 12 de junho se comemora o Dia dos Namorados no Brasil. E ele nem sabe quando é o dia dos namorados na Europa. Se bem que este - tenho que admitir - nem eu mesma sei. 

Então ele não me trará flores, não me comprará chocolates nem qualquer outro presente. Mas ele vai chegar, exatamente como todos os dias, e vai me dar um beijo apaixonado. Vai me abraçar bem apertado - igualzinho todos os dias - e vai me perguntar sobre o que aconteceu, se a minha mão está melhor. Vai me beijar apaixonadamente e dizer que me ama - exatamente como todos os dias. 

Antes de dormir, vai se aninhar em mim, me abraçar de conchinha. Talvez faremos amor, talvez não, porque não existe para nós uma regra de periodicidade. Mas em ambos os casos ele vai ficar ali, abraçado comigo até quase dormir, porque segundos antes de pegar no sono eu - ou ele - viramos para o outro lado. 

E amanhã quando não for mais Dia dos Namorados ele vai me acordar com um beijo, vai me abraçar na porta do quarto, assim que levantar da cama e vai dizer que me ama e me desejar um ótimo dia - exatamente como faz todos os dias. 

E eu vou amá-lo um pouco mais por isto. Exatamente como faço todos os dias. 

Te amo, Cleber Pra
















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