quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Sensaçoes guardadas

Sou canceriana. Guardo coisas. 
O lado ruim é que me lembro de todas as ofensas, todos os machucados e todos os naos. 
Mas tambem me lembro de todas as alegrias - até as pequenas - que vivi. 


Me lembro de juntar as letras da caixa de bolo SOL pela primeira vez, ainda aos 5 anos e descobrir que jà sabia ler. 



Me lembro do meu primeiro dia de escola, ainda com aquele shorts vermelho de elastico nas pernas e eu achava que ja era gente grande. Me lembro de quando era criança e do nascimento de cada um dos meus irmaos. 

Me lembro da primeira vez que fiz arroz, aos sete anos na nossa casa em Itumirim - MG. Tive que subir em cima da cadeira porque nao tinha tamanho suficiente para enxergar o fogao. Me lembro da sensaçao de importancia seguindo as instruçoes da minha mae, do cheirinho de arroz pronto e da delicia da primeira garfada do primeiro arroz feito por mim. 


 
Lembro-me do primeiro namoradinho, aquele que ainda nao é nada mais que o seu namoradinho, aquele que eu nunca beijei porque era nova demais. 

Lembro do primeiro beijo que nao foi tao bom assim. 

E da minha primeira vez, que tambem nao foi tao bom assim. E me lembro tambem da primeira vez que foi bom demais. 

Lembro exatamente como era deitar a cabeça na barriga do meu pai e ficar ali assistindo filme, conversando ou simplesmente na falando nada. 


Lembro-me da sensaçao de me descobrir gravida. E ainda mais a de ser mae pela primeira vez. Me lembro que chorei ao ver a carinha do Guilherme. Nao conseguia nem sorrir porque a felicidade era tanta que eu queria mesmo era gargalhar. Como estava no hospital, a felicidade transbordou e as lagrimas cairam. 




Lembro da dor de perder meu pai e do quanto o suporte da minha mae, dos meus irmaos e amigos foram importantes para mim. 

Lembro tambem de como fiquei assustada quando me vi gravida da Luana e de como eu achei que nao ia conseguir. Mas quando olhei para aquela coisinha deitada ao meu lado, todas as duvidas foram embora porque agora eu tinha que conseguir, mesmo que tivesse medo. E eu o fiz por amor. 











E da sensaçao de voar de aviao pela primeira vez? Era um sonho meu. E quando eu realizei eu achei que ja tinha realizado tudo. Ledo engano. Afinal, saltar de paraquedas nos da uma sensaçao ainda maior. 

Me lembro da primeira vez que vi o Cleber. Achei ele lindo. Mas nem em sonho poderia imaginar que estariamos aqui hoje. Nao naquele dia, porque ainda me lembro de quando eu descobri que o amava e a sensaçao de plenitude que se inundou em mim. 





E quando fiz minha primeira viagem internacional. Tudo era novo. Tudo era lindo. Eu andava e chamava atençao de todos porque meu sorriso era tao grande que nao cabia em mim. 


Lembro tambem da primeira vez que o Cleber sentiu o Renzo se mexer aqui dentro da minha barriga e da lagrima nos olhos dele. E do rostinho lindo do meu pequeno. 


Lembro da sensaçao de estar deixando algo para tras quando sai do Brasil com mala, cuia e tres filhos a tiracolo para viver a vida no outro lado do oceano. E do abraço gostoso de boas vindas que meu amor me deu. 

E é por isso que eu sei que guardarei para sempre a sensaçao que tive ao ver cair os primeiros flocos de neve pela minha janela. Eles começaram fraquinhos, nem grudavam no chao, derretiam antes de tocar a terra. Aos poucos foram crescendo e aumentando. E quando eu vi tudo branquinho la embaixo eu soube que esse era mais um daqueles momentos magicos que vao durar para sempre. E ver meus filhos fazendo guerra de neve me fez sentir criança de novo. E olhar a carinha de felicidade deles, e do pequeno que nao se continha de tanta alegria fez meu dia ficar perfeito. 











Sim, guardo tudo.
Celebro tudo. Até mesmo os pequenos momentos. Porque aprendi que sao eles que realmente fazem a nossa vida ser tao especial. 










terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Estou concorrendo!!!



Faz um tempao que nao participo de um sorteio. 
Alias, faz um tempao que nao participo de nada. 
Entao resolvi sair da toca e entrar para a concorrencia. 
Tomara que eu ganhe, né? 

E se voce tambem quiser ganhar, é sò clicar na imagem ai em cima, ou la embaixo que voce ja vai ser automaticamente direcionado para a pagina do concurso. 


E garotas, mae, donas de casa ou voce que é simplesmente mulher, vale a pena dar uma conferida no que esta rolando por la. Tem varias dicas legais para a gente que é 1001 utilidades. 


segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Minha amiga-irma



Tenho uma amiga que é mais que uma irma. 

Nao sei medir ha quanto tempo estamos juntas na caminhada da vida. Principalmente porque acho que a nossa caminhada vem alem do tempo que nos conhecemos. 

Sei que ensinei algumas coisinhas para ela, mas aprendi outras tantas. É uma troca constante que sò me engrandece. 

Começaram nos bilhetes trocados atraves dos boys da empresa. E continuam até hoje nos emails e mensagens que trocamos nos momentos alegres e nos tristes tambem. 

E ela sempre me entendeu sem me julgar. Até mesmo nos anos em que - sem nunca me esquecer dela - nao me lembrei da data do seu aniversario. 

Ela ja chorou comigo, ja enxumou minhas lagrimas, ja comemorou minhas vitorias, ja se preocupou com meus problemas e se entristeceu com minhas derrotas. 

E seguimos pela vida, separadas fisicamente mas unidas no coraçao. 

Sò que para surpresa dela, hoje eu nao esqueci. Acordei e agradeci a Deus essa convivencia unica e especial. E em oraçao lhe desejei UM FELIZ ANIVERSARIO! 

sábado, 31 de dezembro de 2011

Bom dia



Bom dia ao ultimo dia do ano. 
Um ano que me trouxe tanto: novidades, alegrias, casa nova, tristezas, decepçoes, esperança. 

2011 foi um ano repleto de emoçoes, um ano controverso. Muitas coisas boas aconteceram. E muitas ruins tambem. Muitos sonhos realizados, outros nao. Planos que nao se concretizaram e outros que sim. 

Financeiramente nao foi um ano muito bom. E acho que sò nesse aspecto 2011 deixou a desejar. E tambem no fato de que a minha cidadania ainda nao ficou pronta. Mas isso nao foi culpa do ano. 

Se formos falar de FAMILIA, foi o melhor. Somos ainda mais unidos. Guilherme deixou de ser um aborrescente para se tornar apenas um adolescente. Luana crescendo a olhos vistos mas sempre juntinho, sempre amorosa e carinhosa. Renzo lindo como sempre, aprendendo e se maravilhando com o mundo. Cleber e Cris cada dia mais fortes. E com isso fortalecemos nossa familia e nossos nòs. Aqui tenho que fazer dobrado porque sei que o Gui e a Lua sentem falta do pai e dos amigos que ficaram no Brasil. Tenho me esforçado e acho que estou conseguindo. 

A mudança de pais fez bem a todos nòs. As crianças aprenderam uma segunda lingua e estao se encaminhando para terceira e quarta. Luana frances e ingles e Guilherme alemao e ingles. Alem disso, nos fez crescer em disciplina, humildade, paciencia. Todos nòs. 

Amo estar aqui. Amo a tranquilidade e serenidade que este pais me dà. 

Sinto falta de algumas pessoas que ficaram no Brasil. De outras quase nem me lembro. 2011 me trouxe novas pessoas, novos amigos. Levou outras embora. Fortaleceu relacionamentos e abalou outros. Se me lamento? Nem tanto. Sei que todos que continuam por "perto" o fazem por amor, e nao por obrigaçao e isso me fortalece ainda mais como ser humano. E isso me basta.  

Em 2011 aprendi que laços nao sao eternos. Algumas pessoas dao nòs em nossas vidas e essas sim acabam ficando por mais tempo. Laços se desfazem re alguns optaram por desfazer os laços que tinhamos. Meus nòs continuam ali pertinho, a quilometros fisicamente e a um dedo espiritualmente de distancia. Continuamos juntos. Agradeço por isso. 

Tenho sim, alguns planos para 2012. Mas nao vou me sentir decepcionada se eles nao acontecerem, porque aprendi que nem todos os planos se concretizam e que Deus muitas vezes tem planos diversos para nos. Aprendi a aceitar e a confiar.

Obrigada 2011! Por todas as lagrimas, todos os sorrisos, todas as alegrias, todas as decepçoes. 

Feliz 2012! E que aconteça sempre o melhor para cada um de nòs com todas as lagrimas, sorrisos, decepçoes e alegrias a que temos direito. 








  

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Vontade de mae

Jà disse e repito quantas vezes forem necessarias: EU AMO A ITALIA. 



Amo estar aqui, amo poder passear com pouquissimo dinheiro no bolso, amo a segurança e tranquilidade que tenho ao ver meus filhos sairem para a escola sem me preocupar se algum marginal vai bater neles no meio da rua para roubar seu tenis ou o dinheiro do lanche. 

Amo saber que meus filhos estao estudando para valer, porque aqui sim, repete de ano se voce nao aprende. E os professores tiram ponto na prova de Ciencias se voce escreve errado uma palavra, porque todo mundo tem que saber escrever. 

Amo o respeito pelo cidadao, pedestre, ciclista e motociclista. Assim como amo o respeito que eles tem pelos automoveis. Aqui nao se ve motociclista fazendo zigue-zague no transito.

Amo ver a diversidade de pessoas nas ruas e escutar varios idiomas: italiano, portugues, russo, indiano, arabe, ingles, romeno e outros. 

Mas nem tudo sao flores. Tem dias que bate uma saudade do colo de mae. Dias que tudo o que eu queria era deitar a cabeça no colo dela e dizer: - Mae, te amo. Varios lugares por onde passo fico pensando que ela poderia estar comigo. Em outros, penso, tadinha, aqui ela nao viria mesmo. 

Seu aniversario passou e eu estava longe. Nao pude dar um abraço bem apertado e dizer no pe do ouvido o quanto ela é especial. Tive que faze-lo apenas no coraçao. Como nos dias que aperta a saudade. 

Como hoje. Estou com "vontade de mae", ou melhor, vontade de ser filha. Comer comidinha caseira preparada pelas maos carinhosas da minha mae. Olhar a geladeira e encontrar o pudim que ela fez para mim. Comer bolinho de couve-flor preparado por ela. Os meus nao tem o mesmo sabor. 



Como ja dizia meu amigo: - Bom seria se pudessemos reunir todas as pessoas que amamos em um sò lugar. 

Mae, amo voce. 


quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Rotina de Dona de Casa


Texto escrito para o blog Donas de Casa Anonimas a pedido da Daniele Correia que administra os blogs Dona de Casa Anonimas e Donnabrasileira.com 


Sou mulher, esposa, mãe de três filhos – um garotão de 15 anos, uma linda garota de 11 e um bebê cheio de energia de 1 ano e dois meses - dona de casa e minha jornada é de 24 horas.

Dia desses soltei um desabafo em voz alta: - Aff! Nunca mais tive um dia de folga!
A resposta veio rápida, direta e imediata: - Ué, mas você fica em casa, não trabalha, tem folga todos os dias!

É. Tem razão!

Minha jornada é comum e praticamente a mesma todos os dias. Levanto as 6h30 para preparar o café do marido e dos filhos maiores. Como não sou de ferro, deito de novo e me levanto as 8h, tomo café, e quando dá tempo arrumo o quarto das crianças antes do caçula acordar.

Quando ele acorda, entre 8h30 e 9h, é hora de fazer o chamego matinal – delicia essa parte, devo admitir – tirar pijama, trocar a fralda, escovar os dentes do pequeno, mingau. Logo depois do mingau já é hora de trocar de novo depois do seu famoso coco matinal que – pasmem – ele não faz se a fralda não estiver limpa.

Ai é hora de cuidar a casa que consiste em lavar a louça suja do café, arrumar as camas, varrer, aspirar o tapete, tirar o pó dos moveis, e passar pano úmido todos os dias. Enquanto faço isso, dou bolacha, danoninho, fruta e atenção para o pequeno. Em dias alternados limpo os lustres, as janelas, as varandas e o banheiro – e o meu é bem difícil já que onde moro tem muitos produtos na água e um deles, o calcário, deixa o meu Box, bacia e pia amarelos. Vou juntando as roupas, sapatos e objetos que os três grandalhões deixaram espalhados pela casa. Aproveito também para colocar roupa na maquina de lavar.

11h hora da naninha do bebê. E até hoje não entendi porque essa hora é tão difícil. Está com sono, fecha os olhos e dorme!!!! Mas aqui em casa – e na casa de um monte de mamães – essa é a hora mais complicada do dia. A média por aqui é de 30 a 50 minutos de labuta. Quando ele finalmente pega no sono é hora de fazer o almoço para os mais velhos que vão chegar da escola. Ah... estender as roupas. Não posso esquecer!

12h30 o pequeno acorda para almoçar. Geralmente dou o almoço para ele separado dos demais porque se ele se distrai não come direito. Quando os outros chegam da escola, por volta das 13h30 é hora do almoço. Quando eu era secretaria tinha 1h e 15 minutos de horário de almoço. Sentava na mesa do restaurante e era servida por um garçom. Me sobraram agora os 15 minutos. E posso afirmar com segurança que não o faço sentadinha na mesa em tempo integral. Levanto porque o mais velho “quer mais carne”, minha filha “não encontra o refrigerante” e ainda divido o prato com o caçula que pega a colher e faz a festa no meu prato. No restante da minha hora de almoço não saio para ver vitrines, passear no parque ou qualquer coisa do gênero. Vou lavar a louça. E nunca tive que lavar a louça nos restaurantes.

A tarde, um pouco mais tranqüila, limpo a cozinha e quando faz calor saio de bicicleta com o Renzo e vamos a um parque nos divertir um pouco. Como agora é frio brinco com ele, assisto TV – meus programas preferidos são Cailou, Elefante Babar, Jim o astronauta e outros - e ajudo os mais velhos na lição de casa – quando entendo, é claro! Afinal, mãe não sabe tudo e muitas coisas que eles aprendem agora eu nunca vi e outras – que vergonha – esqueci. As 17h, depois do banho e da soneca do bebe, passo roupa e preparo o café da tarde. Lavo louça. Quando o maridão chega em casa as 19h30, geralmente a janta está pronta. Dou janta para o pequeno e depois jantamos todos juntos. Levanto da mesa umas 3x em media. Normal! Já faz parte da minha rotina. Lavo a louça e ai sim sento para assistir um pouco de TV. Claro que não presto atenção ao programa porque o caçula quer brincar. As 21h depois de dar mamadeira e faze-lo dormir, vou enfim, tomar meu banho. Ah... olhar se as crianças levaram o lixo para fora.

As vezes a rotina muda um pouco e vou ao mercado, a padaria, a farmácia, ao açougue buscar algo que falta.

Claro que apesar de tudo isso tenho muitas vantagens. Não pego transito, não fico no frio, não tenho cobranças de chefe. Ganho beijinhos, cheiros, risadas e piscadas durante todo o dia. Posso compartilhar a vida dos meus filhos que me contam sem pressa como foi seu dia na escola. Fui a primeira a ver o Renzo engatinhar, andar e fazer tantas gracinhas que eu não teria compartilhado se trabalhasse em tempo integral. E quando o meu marido chega em casa, eu o recebo com beijos e um carinho todo especial.

Sim! Eu fico em casa todos os dias. Mas folga? Eu realmente não sei quando foi a última vez que tirei um dia de folga.



terça-feira, 6 de setembro de 2011

Folhas que caem



Olhando da janela do meu quarto posso presenciar um dos mais fascinante espetàculos da natureza: o cair das folhas.

Tao simples e tao òbio e - para quem sabe ler nas entrelinhas - tao cheio de promessas.

Tempo de renovaçao. Tudo o que foi belo e esplendoroso dà lugar à renovaçao, à mudança. Em breve a àrvore majestosa deixarà de ser tao bela e pomposa e poderemos ver somente os galhos secos - aparentemente - sem vida.

Mas essa transformaçao é necessaria para que ela se renove, para que brilhe novamente com toda sua majestade.

Assim somos nòs. Quantas vezes nao vemos nossas folhas cairem. Quantas vezes morremos? Mas, assim como a àrvore majestosa que se curva à vontade da mae natureza, nòs tambem morremos sempre para nascer cada dia mais forte, mais cheio de raizes profundas, raizes de conhecimento, de determinaçao, de persistencia.

Jà fui pequena como uma semente, hoje sou grande como uma arvore, mas nao tenho a pretensao de ser imponente sempre. Sou exatamente como a majestosa que està ai do outro lado da rua. Minhas folhas caem. Sempre - na verdade, mais vezes do que eu gostaria - mas sempre que isso acontece, é so a vida me preparando para um nascimento mais forte e glorioso.

Bom outono a todos. Estaçao de cores, temperaturas amenas e um charme que sò ele tem. 

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