quarta-feira, 1 de outubro de 2014

Um olhar inspirador.

Texto publicado originalmente no Blog da Glê
Tudo, absolutamente tudo nesta vida apresenta dois lados. Cabe a nós escolher para qual direção olhar.
Há algum tempo aprendi a procurar o lado bom das coisas, que independe de nós sermos felizes. É um exercício diário, contínuo e incessante.
O que eu ganhei com isto? Um novo modo de olhar para as coisas, pessoas, paisagens.
Moro na Itália há 3 anos,  em Mantova, uma cidade relativamente pequena, embora a província seja enorme. Consigo ir de uma ponta a outra da cidade em vinte minutos de bicicleta. Portanto, nada mais lógico acreditar que eu já tenha passado, ao menos uma vez em cada rua, em cada beco da cidade.




A surpresa é que a cada vez que passo por uma rua – mesmo as já conhecidas – consigo enxergar algo novo. Uma fachada, um vaso de flores na janela, um tom pastel em uma construção antiga ou a lua que resolveu ficar pertinho da torre da igreja só para fazer pose para a foto.
Não sei precisar se este deslumbre  é graças ao Velho Mundo ou se era uma coisa latente em mim – e despertei para isso com a nossa vinda para cá.
Sei sim que hoje sou daquelas que fica feliz em ver uma borboleta voando. Para mim, isto é sim motivo de felicidade.


sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Muito prazer, sou a Cris

Quando surgiu o convite para escrever no Blog da Glê, fiquei radiante. Primeiro porque ela é uma das minhas fontes de inspiração. Segundo porque a leio há muito tempo e pude acompanhar sua evolução – e a admiro muito. E terceiro, e mais importante, porque ela é minha amiga!
Caberá a mim escrever um pouco sobre como é viver em um país diferente do seu, sobre viagens, cultura internacional e um bocado de tudo o qu considerar interessante para compartilhar com vocês. Não sou expert no assunto, mas vivo na Europa e, por conta disso, tenho a oportunidade de conviver com culturas diversas.
Pensei muito sobre meu primeiro post. E achei que, na verdade, precisava me apresentar e contar um pouco da minha história, para que vocês saibam que não estou apenas fazendo turismo – bem queria! – pela Europa.
Em 2010 começou a nossa saga: a busca por documentos para adquirir a cidadania italiana, pois eu, minha irmã e meu companheiro Cleber – não somos oficialmente casados, embora seja um dos nossos sonhos – havíamos decidido tentar a vida fora do Brasil, mais precisamente na Itália.
Nosso filho Renzo nasceu em setembro e em fevereiro o Cleber, já cidadão italiano, viajou para Mantova (Mântua, em português), cidade na região da Lombardia, onde ficou hospedado na casa de um primo, para tentar conseguir trabalho e casa para que pudéssemos ir todos. Em maio de 2011 embarquei com meus três filhos,  minha irmã e seu marido (ex-marido agora),  rumo a Mantova, nossa atual cidade.


Pensávamos que nossa cidadania ficaria pronta em três meses; infelizmente não foi o que aconteceu. Devido a um erro do consultor que cuidou do nosso processo, faltou nossa certidão de divórcio, pois tanto eu quanto minha irmã já havíamos sido casadas anteriormente. O que era para sair em três meses, demorou quase um ano para mim. O documento de cidadania da minha irmã ainda não está pronto, porque o mesmo consultou esqueceu de anexar a sua certidão de casamento também. Ainda estamos lutando para que a cidadania dela fique pronta.
Também pensei  que encontraria logo um trabalho ou que ao menos pudesse fazer serviços de manicure, pois tinha me preparado no Brasil para isto, mas como não conhecíamos muitas pessoas, não consegui uma clientela suficiente para ajudar nas despesas de casa de forma satisfatória. Por isso, comecei a fazer faxinas. Confesso que no começo foi uma coisa bem difícil para mim, pois eu não era acostumada a fazer faxina nem em minha própria casa, quem dirá nas casas de outras pessoas.
Assim que a minha cidadania ficou pronta, comecei a procurar trabalho em fábricas. Amo cozinhar, mas, sinceramente, não gosto muito desta parte de limpeza! Rs… Faço na minha casa por pura obrigação.
Meu primeiro trabalho aqui foi a pior coisa que já fiz na minha vida e, acreditem, muitas vezes senti falta da faxina. Trabalhava em uma fábrica de caixas de papelão. Era um serviço pesado, estressante e cansativo. Trabalhava por oito horas direto, sem direito a descanso de nem ao menos 10 minutos. Ir ao banheiro era a maior dificuldade, pois as máquinas não paravam um segundo sequer. Carregava peso de quase 10 quilos e chegava em casa literalmente moída. Mas fui forte e não desisti. Mesmo porque não havia como sobreviver só com o salário do Cleber. Contudo, era somente isso que conseguíamos fazer; não sobrava para muita coisa.
Durante quase um ano vivemos somente de doações de roupas e sapatos para as crianças e para nós, além da “Cesta Básica” que pegávamos uma vez por semana em uma Associação, sustentada por uma igreja da cidade. Aquele primeiro ano foi duro, mas ao menos eu podia ver este pôr do sol todos os dias. (Sou uma pessoa positiva, e embora a situação não fosse lá muito acolhedora, sempre procurei ver o lado bom de cada coisa).

Trabalhei em mais duas empresas e, atualmente, trabalho na mesma empresa nal qual o Cleber trabalha. Posso dizer que agora gosto bastante do que faço.
Amo o país que me acolheu tão bem. É claro que, muitas vezes, sinto uma saudade imensa da minha mãe e do meu sobrinho Kevin que ficaram no Brasil. Também sinto saudades do meu irmão caçula, Junior, e do meu sobrinho Arthur.
O começo foi muito difícil, pois a cultura é outra, o tempero é diferente. Como o Cleber já estava trabalhando quando chegamos, sobrou para mim a tarefa de fazer inscrição para as crianças nas escolas. Meu Deus!!! Como era difícil pedir informação ou entender o que as pessoas diziam.
Ainda hoje cometo erros imperdoáveis com a língua, mas me corrijo todos os dias. Tento ler ao menos um livro por mês para me familiarizar sempre e mais com o idioma do país em que vivo, pois para mim isto é fundamental. Conto muito com a ajuda das crianças que se adaptaram bem e falam com clareza.
Em casa falamos o português e fora o italiano. Por conta disto acho que fez uma pequena confusão na cabeça do Renzo e ele demorou um pouco a começar a falar. Com 1,6 ano ele não falava nem mammapapà direito. Mas hoje em dia ele fala os dois idiomas com clareza e sabe muito bem diferenciar um do outro. Sabe quando deve falar em português e quando deve falar em italiano.

O que eu mais gosto na Itália, principalmente na cidade na qual moro, é que meus dois filhos maiores podem ir para a escola sozinhos de bicicleta que não acontecerá nada com eles. Ninguém vai pará-los na rua para roubar um tênis, ou a bicicleta, ou o dinheiro do lanche.
Gosto do fato de saber que mesmo não ganhando muito, consigo dar para eles uma vida melhor do que a que eu vinha proporcionando no Brasil nos últimos anos. Gosto de saber que estão tendo um estudo de qualidade e profissionalizante.
Gostaria muito de poder visitar nossa família no Brasil, pois embora minha mãe tenha vindo nos visitar no ano passado, os pais do Cleber vivem lá e não têm a menor previsão de poder nos visitar, por problemas de saúde de minha sogra – além de um medo tremendo de avião! De nossa parte, ainda não há possibilidade de ir, pois hoje é inviável pensar numa viagem para cinco pessoas – o Cleber, três filhos e eu. Mas temos outras prioridades e não sofremos por isto. Aprendemos a conviver com a saudade.
Falo com minha mãe no Skype quase todos os dias. E o Cleber telefona para os pais dele também quase todas as semanas. A Luana conversa com o pai, no Brasil, sempre que possível. Sei que sou feliz aqui. De verdade. Todos somos. Temos nossos momentos de saudades. Temos nossos momentos de angústia.
A parte mais difícil é gerenciar a saudade e a carência de toda a família. Há dias que o mais velho acorda dizendo que sente falta do Brasil e que quer voltar. Em outros dias é a Luana que acorda triste porque ainda não formou um círculo de amizades que considere satisfatório. Tem dias que sou eu que sinto saudades do trabalho que fazia no Brasil e dos amigos que deixei. Em algumas dias  é o Cleber quem acorda querendo rever os pais e os amigos. No inverno parece pior. Somos acostumados ao calor, a ver sol quase todos os dias. Aqui o inverno é longo e muitas vezes rigoroso.
A boa, aliás, ótima notícia é que mesmo nos dias mais sombrios temos um ao outro. Somos uma família bem unida, apesar das brigas e diferenças. Quando um de nós não está assim tão bem sabemos que temos uns aos outros para nos apoiar. E aí recebemos um abraço caloroso, um sorriso, um “gelato”.

Apesar da saudade, viver fora é muito bom. Eu amo a Itália. E é justamente por isto que a Gleide me convidou para escrever – e também para matarmos as saudades que sentimos uma da outra!
Logo logo vamos bater altos papos. Semana que vem volto com mais histórias da vida desta brasileira aqui na Europa.
Baci nel cuore,
Cris Fagá
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Texto originalmente escrito para minha estréia no Blog da Glë.


terça-feira, 12 de agosto de 2014

Quando o engraçado não é feliz.

Sinceramente, eu nunca fiquei realmente triste com morte de atores/ cantores/ pessoas famosas em geral. Somente duas vezes fui invadida pela mesma tristeza de perder alguém de quem gosto muito. A primeira com a morte do papa João Paulo II e hoje com a de Robin Williams. 


E, que me desculpem os que são contra demonstrações de tristezas só porque um dia ele falou mal do Brasil. Eu também já falei. Do Brasil, da Itália, de São Paulo e de tantos outros lugares e pessoas do mundo. E só por causa disto não mereço admiração pelos meus outros feitos? O cara era fantástico! Tantas vezes acordei e meu primeiro pensamento foi : -Booooooommmmmmmm diiiiiiia Vietnã! 

Cresci vendo seus filmes. Ele fez a mim - e outros milhões de pessoas -chorar, rir, se emocionar. Comédias com ele eram risadas garantidas. Dramas com lágrimas inclusas. Ele sempre nos tocou no mais profundo dos sentimentos de cada um de nós. 



Mas o que mais me chocou em sua morte, não foi o fato de perdermos um grande ator - sim, ele era estupendo! E sim o fato de que me dei conta, pela primeira vez aos 43 anos, de que "o engraçado não é feliz". 

Quantas vezes ele nos fez rir quando internamente sua alma chorava. 



E ainda mais: quantos de nós sorrimos quando não há motivos para risos? Quantos engraçados com a alma em prantos encontramos em nosso dia-a-dia? E quando será que seremos sensíveis o bastante para perceber que por trás de cada sorriso há - ou pode haver - uma dor escondida? 

Por um mundo onde a sensibilidade humana seja capaz de transformar sofrimento em alegrias para que não hajam tantos "Robins Williams" portadores de tristezas escondidas. 

terça-feira, 29 de julho de 2014

Viajar....



Viajar, 
para muitos, um luxo. Para mim, uma necessidade. 

E me dei conta disto muito cedo, quando ainda não tinha absolutamente nenhuma condição para isto. Sonhava em conhecer outros mundos, outras culturas. 

A primeira grande viagem da qual me lembro foi para Praia Grande, no litoral paulista. Para alguns, nenhum glamour. Para mim, que tinha 16 anos e uma vida cercada pelas paredes da casa que mal conseguiamos pagar o aluguel, um sonho realizado. Me lembro desta viagem com uma riqueza de detalhes que chega a ser assustador. Näo me lembro direito das coisas que comprei naquele ano - nem mesmo se comprei. Não me lembro dos acontecimentos na escola, mas cada detalhe daquela viagem ainda estao frescos em minha memória. 

Com o tempo percebi que sou daquelas que trocaria qualquer bem material por um bom pé na estrada. Mochilas nas costas ou hotel de luxo, tanto faz, contanto que seja em algum lugar novo. 


Li hoje um texto que fala que viajar nos rende muito mais feliz que comprar um bem novo. E é verdade! Das minhas aquisições atuais, as mais valiosas são minha lavadora de roupas e minha lavadora de louças, que rendem meu dia a dia mais fácil - e até elas eu trocaria pelo prazer de viajar a cada 6 meses - para algum lugar quente, de preferência. Também descobri que sou uma pessoa metereopática (termo em italiano e não sei se existe em português) e fico muito mais feliz em altas temperaturas. Frio, para mim, é coisa de um dia. Neve é brincadeira de criança - e nestas horas sou extremamente infantil. Mas conviver com estas duas coisas não é lá coisa muito agradável - pelo menos para mim.

Não me lembro da sensação de compra do meu primeiro carro, um Fiat Uno cinza, mas ainda me lembro da viagem para Avaré, anos antes disso: "- É o cavalo!" (Só quem esteve por lá entenderá) - e o mais interessante é que cada um dos presentes também se lembra. E quando nos encontramos fica aquele cheiro gostoso de nostalgia no ar. 

E ainda tem tantos lugares que quero conhecer! Para ser sincera, eu não posso morrer sem antes conhecer a Grécia - Paraiso Natural - e percorrer o Peru: Cidade de Nazca, Cidade de Tiahuanaco, Puma Punku e  região. Lá eu quero poder andar de mochilas nas costas, sem compromisso com o tempo. Quero passar um tempo sentada em frente as ruínas sem entender o que foi que aconteceu ali. Já, na Grécia, quero desfrutar as delícias do mar Mediterraneo e ver o pôr do sol lá de cima - em Santorini a cada dia de um ângulo diferente. E registrar todos.

Sem condenar ninguém, hoje em dia é meio difícil entender as pessoas que investem seu dinheiro em casas, carros, bens materiais - e lembrem-se, eu também já fui assim. Quando a gente está lá, nos últimos dias, tudo isto passa a ser de outra pessoa. A única coisa que é realmente tua são as lembranças. E que maravilha poder me recordar de cada viagem que fiz, ao invés da televisão nova que comprei. 

As lembranças mais doces que tenho do meu pai são as dele empinando pipa, jogando bola, se aventurando com a gente. Nenhuma marca me foi deixada pelo que ele me comprou ou pelo que deixou de comprar. 

Amo a Itália, e sou muito agradecida ao Cleber por ter insistido para virmos morar aqui. Mas depois que o Renzo tiver idade suficiente para não esquecer o italiano, quero me mudar para um outro país, com outra cultura e língua diferente. E vou arrastar comigo tanto ele quanto a Luana, que para meu orgulho, escolheu seguir estudos em uma escola que ensina, além do italiano, inglês (claro!), alemão e francês - línguas escolhidas por ela - chinês e espanhol.  

Quero ensinar meus filhos a amar viagens. Quero lhes ensinar o prazer de viajar, de conhecer pessoas e lugares diferentes. Quero ensiná-los a amar as diversidades e aprender com elas. Quero ensiná-los que este é o investimento mais seguro que há, pois ninguém pode tirar de você o que voce adquire em conhecimentos e culturas. O dinheiro vai e vem. O aprendizado não. É seu e ninguem pode roubar. 

Aprendi isto um pouco tarde. Tambem fui filha do consumismo, do ter e do poder. Hoje, sou filha do amanhã. E, para viver no amanhã, é preciso ter braços abertos e coração galopante. 

domingo, 27 de abril de 2014

O simples me apetece.

A minha vida inteira vivi perto da correria, do agito, do caos. São Paulo é assim. E por isto nunca me questionei se tudo aquilo era certo ou não. 

Vivi cercada de pessoas que trabalhavam 10 / 12 horas por dia, corriam atrás de dinheiro feito loucos e algumas, simplesmente um dia deixavam de ver importância em tudo aquilo. Sempre achei que esta descoberta vinha acompanhada de uma doença grave, um "quase morte" ou uma "quase perda" de alguém querido. 

Comigo nao foi assim. Não sei dizer ao certo quando foi que o SER passou a ser mais importante que o TER. Acho que tudo começou no meu quintal em Extrema-MG, onde esquilos, pássaros e maritacas vinham me fazer companhia no café da manhã. Achava tudo aquilo de uma simplicidade incrível e vinha acompanhada de uma paz não me deixava pensar em absolutamente nada. Era uma paz silenciosa, sem motivo de ser. E foi então que eu descobri a Tranquilidade da Alma. 

Claro que gostaria de ganhar aneis de brilhantes e colares de esmeraldas. Gostaria de fazer a festa de aniversario dos meus filhos nos buffets mais caros da cidade e passar horas fazendo compras nas mais diversas lojas. 

Mas nada disto me traz esta tal tranquilidade. 

O que eu gosto mesmo é de botar o pé na areia, pisar descalça na grama, molhar os pés na água do mar. 




Gosto do sorriso descontraído, do vento no cabelo, no olhar para as paisagens. 





Gosto de pular, de rir, de gargalhar. Gosto de brincar na neve, de fazer guerra de nada.



 Gosto de olhar as montanhas, de jogar pedras na agua.





Gosto mesmo é de ver o por do sol - porque ele nasce muito cedo e eu gosto de dormir até tarde. 






Gosto de ouvir as ondas do mar. E gosto do mar até mesmo quando não tem ondas. 



Gosto de andar de bicicleta. Gosto de sentar no banco da praça enquanto o Renzo desce no escorregador. 




Gosto de estender a toalha na grama e me estender olhando para o lago enquanto chega o cair da tarde.






E foi vivendo tudo is
to que eu descobri que o simples é o que me faz feliz. 

E descobri que fico mais feliz quando tem sol. 



domingo, 6 de abril de 2014

Ele não ajuda mesmo!!!!!

Com a casa devo admitir que ele realmente quase não me ajuda. Segundo ele, precisa que eu coordene as coisas. E eu estou sempre esperando que ele faça por si só, assim que veja que algo está fora do lugar. Mas não é bem assim que funciona. E muitas vezes acabo me sentindo frustrada. 

Agora, a verdade é que com o Renzo ele nunca ajudou. E tudo começou quando ele nasceu. Tive um parto extremamente complicado (quem quiser se atualizar, leia aqui!)

E então ele ficou comigo todas as noites no hospital, levantando e abaixando a cama nas mais de 25 vezes por noite que o Renzo chorava querendo mamar ou simplesmente porque queria o colo da mamãe. Foi ele quem me levou ao banheiro e colaborou para que eu conseguisse me vestir. 




Já em casa, era ele quem me levantava do sofá, quem acordava de madrugada para me sentar ou me levantar da cama, pegar o Renzo do berço, colocar no meu colo para que eu pudesse amamentá-lo e depois colocá-lo de novo no berço. Não sem antes me levar ao banheiro e me colocar novamente na cama. Era ele quem trocava a fralda do Renzo de dia e só não o fazia a noite porque ele não tinha a agilidade suficiente para uma troca rápida e o pequeno, muitas vezes, chorava de frio. 


Foi ele que em menos de 1 semana deu banho no filho. Confesso que ele tinha um certo receio, mas eu, teimosa que sou, pedi para ele segurar o Renzo por 1 minuto e quando ele o fez eu disse: - agora é tua vez de dar banho. E ele tirou de letra. Daquele dia em diante, nos revezávamos nesta tarefa também. 




Enquanto eu estive debilitada ele lavou, cozinhou e coordenou as tarefas de casa enquanto eu chorava de dor. Foi excepcional. 

E até hoje é assim. Ele continua não me ajudando a cuidar do filho. Ele chega em casa e brinca com o Renzo, dá banho, briga com o pequeno para ele comer. Ele troca, alimenta, da banho, veste, ensina, brinca, se diverte, dá bronca, põe de castigo, faz companhia, conta histórias, escova os dentes, leva ao cabeleireiro, ao parque, ao mercado, assiste filmes. Explica as coisas, ensina a distinguir as letras e os números. 



E no Mc Donalds pede Mc Lanche Feliz so para o filho ganhar mais 1 brinquedo. 



Nos revezamos na tarefa de acompanhá-lo ao banheiro para fazer cocô e seguramos a mão dele para ajudar neste martírio. As vezes, vamos os dois. 




Ele não me ajuda nem um pouco. Ao invés disto, ele divide comigo a tarefa de cuidar, criar e educar o nosso filho. Fazemos isto juntos porque a responsabilidade é nossa. E isto ele faz como ninguém. Ele simplesmente exerce o seu papel de pai, exatamente como deve ser. E eu tenho muito orgulho do pai que ele é. 






terça-feira, 18 de março de 2014

O que meu filho de 3 anos sabe fazer.



Meu filho tem 3 anos e 6 meses. 

Nos consultórios, nos parques de diversões, nos encontros com as mães, sempre ouço coisas que as crianças da mesma idade sabem fazer. 

- Meu filho sabe contar até 10.
- O meu sabe contar até 100
- Minha filha conhece todas as letras do alfabeto
- Meu filho conhece marcas de carro
- Minha filha sabe mexer no celular / tablet / computador até melhor que eu
- A minha sabe fazer origami

E a exemplo de tudo o que vejo e ouço por aí, resolvi listar as coisas que o Renzo já sabe fazer, afinal, eu também não posso ficar atrás.

O Renzo sabe andar de bicicleta - com rodinhas de apoio, é claro. E ele vai a uma velocidade incrível e na maioria das vezes nem esquece de usar o freio. 

Sabe brincar de mocinho e bandido, atirando em tudo o que vê e usando o sofá como barricada. 

Ele sabe brincar de desmaiar. E sabe que só se deve acordar depois de ganhar um beijo. 

Sabe andar de velotrol dentro de casa no inverno, porque eu não me importo muito com os riscos no chão, desde que ele esteja se divertindo. 

Meu filho sabe montar um castelo de Lego Junior, como ninguém. E muitas vezes ele até coloca janelas. E, por falar em castelos, ele também sabe fazer castelos de areia como ninguém. 

Ele sabe brincar com bolhas de sabão. E solta a risada mais gostosa do mundo ao estourá-las. 

Ele também aprendeu a brincar de esconde e esconde e muitas vezes se esconde dentro do guarda-roupas para a gente procurar. 

As vezes, ele imita fantasmas para nos assustar. 

Meu filho sabe "pescar peixes" no copo com leite, Nesquick e bolachas. 

Sabe subir na beliche do irmão como se fosse uma montanha que tem que escalar. 

Meu filho aprendeu direitinho a brincar de cabana na parte debaixo da beliche. E nem se dá conta que aquilo é só uma cama, e que não adianta ele colocar um cobertor na frente, jamais será uma cabana. 

Meu filho sabe correr no parque e cair e levantar e cair de novo. E às vezes quando ele se machuca ele sabe vir para mim pedindo para dar um beijo para sarar. 

O Renzo sabe pular em cima da minha cama como se fosse um trampolim. Sabe brincar de batmam, de homem-aranha, de Incrivel Hulk e desde ontem aprendeu a brincar de Capitão América.  

Meu filho sabe me pedir para assistir filmes com ele e pasmem - ele até escolhe os filmes que quer ver no setor de "Animaçoes". 

Meu filho não sabe brincar de bola. Quer dizer, ele até sabe. Ele só não é muito bom nisso. Mas ele nem se importa, porque o que ele quer mesmo é chutar. Mas em compensação joga bexigas no alto com uma destreza impecável. 

Meu filho sabe falar francês. Todos os dias quando ele acorda, me dá um beijo e diz: - Boun Jour mon amour. E esta é a única frase que ele conhece na língua. 

Meu filho sabe jogar video-game. E sabe que pode pedir para o irmão ou para o pai para passar as fases mais difíceis para ele. 

Meu filho sabe tomar banho de banheira, cheio de tubarões, piratas e dinossauros e se defende muito bem de cada um deles. 

Meu filho sabe escorregar no escorregador dos parques, balançar nas balanças e subir nos trepa-trepas (este último, devo admitir, ainda com um certo receio).

Ele sabe me ajudar na cozinha quando estou fazendo comida. E nem liga para a sujeira que fica depois. 

Meu filho sabe cantar. Canta músicar conhecidas e às vezes até inventa as próprias cançoes, muitas vezes sem ritmo e sem rima. Mas, quem liga? 

O Renzo sabe brincar de "Capitano" (Capitao) enquanto andamos na rua. E sabe que deve correr dos monstros marinhos, dos tubarões e das baleias antes que eles afundem o seu navio. Sabe que deve passar embaixo dos tuneis imaginários e que deve andar sempre em cima do tronco para não se afundar na areia movediça - ou na lama. 

Ele sabe desenhar nas paredes do box do banheiro quando o vapor embassa. Faz montanhas, casas, homens, dinossauros e uma infinidade de desenhos que ele tem que decifrar, porque eu, burra que sou, nem sempre reconheço um bom artista. 

Ele também desenha no vidro do carro, com suas mãozinhas meio sujas e fica cada coisa linda lá. TEm dias que quase não dá para ver "lá fora" de tão desenhadamente engordurado que fica o vidro. 

Acreditem, o Renzo faz tudo isto e muito mais. 


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Texto baseado no que li sobre o artigo de Alicia Bayer 
sobre O QUE UMA CRIANçA DEVE SABER AOS 4 ANOS. 

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